´ † Shinigami †: Resposta a Drummmond

quarta-feira, 21 de março de 2012

Resposta a Drummmond

É sempre no meu sempre aquele nunca
é sempre nesse nunca aquele agora
é sempre nesse agora aquele nada


No mesmo nada encontro sempre tudo
 mesmo se o mundo é nada sempre assim
mesmo se assim tudo me desperta


e eu me desperto a adormecer no fim
de cada dia de trabalho errado
em cada hora de um amor mal feito


e digo mesmo se este mundo vale
 a expectativa de querer ser sempre
aquela esp’rança onde o bem e o mal


se aliam sempre para quem conserva
o sonho ou a fúria de não estar sonhando
Mas novamente dói a dor no peito


e dói no corpo o que nos vai passando
 mágoas ou risos ou o grito dado
e logo atirado para um vale escuro


onde não oiçamos a revolta infinda
de vivermos os dias nesta escura selva
a que nem Dante chamou talvez de vida


a que chamamos coisa e porém amamos
 Sempre este querer de violência tanta
e esta crença de que o canto estale


e o dia venha porque nós lutamos
 para além das forças que supomos nossas
para além dos sonhos que já não esperamos


para além do verso e do corpo gasto
Sempre este homem que se vai cansando
sempre estes ossos em que equilibramos


esta carne frágil este dia vasto
esta vida feita no que é morte nela 
este amor sujeito ao que é sempre efémero

este ódio ao mundo que é amor eterno

[António Carlos Cortez, in Depois de Dezembro, Licorne, 2010]

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Eu sou quem sou, sou como sou sou um ser humano como muitos são, mas com uma personalidade diferente.