Há gente que passa enquanto falo de amor;
quase nunca falo, quase nunca passo a mão
pelo cabelo, quase nunca evito as horas amargas
mesmo se é contra a mágoa que escrevo.
Um rosto sobre outro rosto, coisas que
se sobrepõem e se contemplam numa língua
que não sabes decifrar. Antes de hoje escrevi
muito sobre essa mágoa sem falar de amor,
sem se saber que era da mágoa que falava,
ou dos amores de Outono, da chuva, um sopro
que nunca aceita a morte ou aquele vago
cristal que falta à vida para ser vida inteira,
perto do riso, escrita como o tempo que desce
das montanhas e respira fundo, e enfrenta
as estações que mudam a face da terra e pedem
companhia, ou só um retrato sobre os trevos.
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